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Oferenda

2 de novembro de 2009

gk_just_a_dream

Doce vinho inebriante
é o sonho
e brota das estranhas

aura estelar
oferenda de paz
’inda que estranha

peleja singular
e a sua sanha
é amar, somente amar

01/11/2009

Ariadna Garibaldi

 

Tela de Gordon King

Profética

24 de outubro de 2009

Joe-Dawson 

Busco recriar-te meu amor
à imagem e semelhança dos meus versos
e nesse poetar quase profético
vivencio meus desejos encobertos

um oráculo de amor à eternidade
vaticina o meu doce devaneio
sintetizo em poema tal presságio
qual vestal de um templo hipotético

e num surto de lirismo inevitável
realiza-se a pseudo profecia
nos delírios dos meus sonhos mais secretos
e na estância cantilena da poesia

05/06/2008

Ariadna Garibaldi

 

Tela de Joe Dawson

Eloqüência

18 de outubro de 2009

Whisper-oil

Bastaria uma palavra tua
que me beijasse a alma nua
e despertasse assim
a música em mim

e ao som dos violinos
em azul sereno
ao vermelho ameno
de uma pele à flor

sob a tua palavra
a me beijar a alma
se faria o amor

17/10/2009

Ariadna Garibaldi

                                                              Tela de Andrei Protsouk

Fúria

17 de outubro de 2009

i_crimson_2

Tela de Ibáñez

 

Ando por caminhos que não sei
busco pelas coisas que não são
choro por aquilo que não existe
vivo pela fé no que virá ou não

Luto contra o  que me abala
engulo o choro que me corta a fala
enfrento o meu medo  de perder
sorrio apesar de sofrer

Traço o meu próprio rumo
faço de minha fé meu prumo
desprezo os conselhos fáceis
discordo das verdades táteis

Não precisa tentar me entender
não pergunte, não vou responder
não fale nada e se puder, me ame
se não puder... Se dane!

05/05/2005

Ariadna Garibaldi

Lucinda

15 de outubro de 2009

Que linda menina30-a-menina
de olhos tão vivos
e sempre precisos
os seus pensamentos

nas leituras dos livros
os sonhos urdidos
as mil brincadeiras
à sombra das árvores

as notas tão altas
o riso tão largo
tão cheia de afagos
e palavras doces

a  bela Lucinda
escondeu-se do mundo
mergulhou bem fundo
ao fundo de si

acorda, Lucinda
vem ver essa lua
vem correr na praia
é quase manhã...

Tela de Dirce Bona

15/10/2009

Ariadna Garibaldi

Sonho

14 de outubro de 2009

Irena Dukule

Tela de Irena Dukule

 

Amo ler-te
e ver-te mais 
e ouvir-te
o som da voz
que nas tardes
tão fagueiras
de segredos
em segredos
ruem medos
nascem sonhos
de encontros
e desejos
amo ler-te
quero ver-te
e quem dera
fosse brisa
que precisa
e ligeira
tua pele
eu tocasse
ah! Quem dera
eu pudesse
e tal sonho
realizasse...


20/05/2006
Ariadna Garibaldi

Desencanto

13 de outubro de 2009

 

MS_EncoreZ Esquece tudo
que falei
as palavras já não
cabem no poema
a canção era
de amor
mas mudei o tema
se algum sonho
me sobrou
já não vale
a pena...

20/07/2007

   Ariadna Garibaldi

Tela de Mark Spain

Outubro em Mim

8 de outubro de 2009

Outubro flor de primaverasunbathing-by-vidan
nasce em mim primeiro
fruto de  amor verdadeiro

a me formar o ser

mulher musa e poeta
amante adormecida
ao tempo em que já era
amada mãe irmã

verdades ou mentiras
discursos e silêncios
outubro em  mim é vida
que se faz terçã

e despida de véus
de medos ou enganos
invadam-me os sonhos
acordem-me as manhãs

08/10/2009

Ariadna Garibaldi

Tela de VIDAN

 

__Sem__

1 de outubro de 2009

olhosv 

 

Pinto de verde
os teus olhos
em nanquim
redesenho
meus passos
e me despeço
sem adeus
sem ver a luz
dos olhos teus

30/03/2006

Ariadna Garibaldi

 

Tela do artista plástico Saulo Silva

Duo

24 de setembro de 2009

JTGC8-Take-Me-HomeZ

Quando me faltam palavras
e pareço vazia por dentro
tudo muda num momento
basta que eu pense em ti

És doce amor que me toma
afeto suave e sereno
és paixão que me arrebata
veneno que me não mata

És fonte onde nasço água
o fio da esperança
deserto que me resseca
insensatez de criança

És o meu fim ou início
meu céu de paz e alegria
meu inferno e meu suplício
a perdição dos meus dias

06/05/2006

Ariadna Garibaldi

 

 

 

Tela de Janet Treby

Pudesse eu saber!

13 de setembro de 2009

 

ms_dance_2

Tela de Mark Spain

 

 

Quem dera eu pudesse ouvir 
o que não ousas dizer
o que tu calas no peito
o que me privas de ver

quem dera eu pudesse ler
pensamentos que são teus
o que tua alma deseja
o que teu corpo quer ter

se gritas no teu silêncio
ou se murmuras ao vento
os teus segredos são trancas
junto a teus medos vazios

pudesse eu compreender
tudo aquilo que te afeta
o que te move ou detém
o que te inibe ou desperta

as poucas linhas do tempo
que brotam na tua face
são ecos da tua história
que a mim jamais revelaste

ah, pudesse eu ouvir
o que não ousas dizer...

08/09/2009

Ariadna Garibaldi

 

Vontade

11 de setembro de 2009

cuadros-016

Tela de Roman De Blas

 

 

Arde em febre e aperta o peito 
que de amor desmaia e se refaz
a um simples gesto de amizade

cobre a carne em manto de desejo
invade-me a vontade do teu beijo
e sonho embriagada de saudade

ai amor que acena em despedida
e que não se abate na partida
pois espera a próxima estação

onde o trem da vida te encontre
e em desacordo às previsões
caias em meus braços e me ames

ah meu doce amigo e amante
quem me dera ver-te como antes
quem me dera ser teu grande amor

17/03/2007

Ariadna Garibaldi

_Amor sem fim_

4 de setembro de 2009

 

goldensilencenaplesshow2008_000

Tela de PINO 

 

 

Quando o sorriso do meu rosto esmaecer
o som das letras não cantar aos meus ouvidos
e a canção perder a cor e o sentido
eu ainda te amarei, meu doce amigo...

Quando o meu grito for silêncio e solidão
a minha pele já sem viço enrugar
e nos meus olhos não restar nem um só brilho
eu ainda te amarei, meu doce amigo...

E se nas noites sem razão e sem luar
de manto negro as estrelas se cobrirem
ou se o sol em pleno dia se esconder
trazendo escuridão e desabrigo

ainda assim o teu amor me guiará
e te amarei: é para sempre, doce amigo...

07/01/2007

Ariadna Garibaldi

 

Crisálida

30 de agosto de 2009

 

crisalida2.stamp[4]

Arte fotográfica  Crisálida de José Luis Álvarez

 

 

As noites correm soltas
fluem nuas
na ausência dos teus beijos e carícias
aquece-me a fé
- e os meus desejos -
sufoco no clarão das muitas luas

abraço a minha alma
e repouso
qual fênix que espera pelas penas
crisálida que anseia pelas asas
a rir-se
saboreia as próprias lágrimas

as noites fluem nuas
correm soltas
por beijos
os arpejos dessa lira
que sorvo como cálice de mirra
a me curar as dores e  feridas

30/08/2009

Ariadna Garibaldi

Fábulas

28 de agosto de 2009

129_2842-O jogo de cartas

Tela de Balthus

 

 

Conta quantas são as contas
desse colar de esperanças
qual contávamos as conchas
que catávamos na areia...

Conta quantas são as meias
verdades ditas ou não
quantas cartas tens nas mãos
ou escondidas nas mangas...

Conta quantas são as sombras
que serpenteiam nas ondas
do teu cérebro alterado
pelo teu ego inflamado...

Conta quantas são as teias
que teces com as meadas
de tuas palavras cruas
e mentiras encantadas...

Conta o conto ponto a ponto
como se fosse um bordado
urdido em tecido raro
assim quem sabe eu creia...

16/03/2006

Ariadna Garibaldi

Violetas Azuis

24 de agosto de 2009

violetas

Sobre o azul das violetas
Deita
e a luz do teu olhar
que me espreita
é a mesma
que à minha alma despe
extraindo a beleza
que me enfeita
desse manto de tristeza
que me veste

17/05/2006

Ariadna Garibaldi

Tela de Gizella Czeglédi

Vaga-lume

22 de agosto de 2009

Glow worm. Lampyris noctiluca.
Credit Robin Scagell/Galaxy Picture Library

Na luz do vagalume
encontro o meu farol
e nesse lume
(tão pequeno)
acendo a minha fé
na certeza de quem sou
na quase-paz do que quero
eu simplesmente
vou!

08/09/2006

Ariadna Garibaldi

Fotografia de Robin Scagell

Os tons do silêncio

20 de agosto de 2009

 

 

VidanRedRepose

Tela de VIDAN

 

 

Sejam os silêncios feitos
de marfim
palavras soltas em carmim
cintilem
cubra-se a pele em cêra

e se depile apenas a lembrança
presa na tua íris

19/03/2007
Ariadna Garibaldi

Uma rosa

16 de agosto de 2009

rosa e livro

Tela de
Andrea Mancini

 

Uma rosa desfolhada
de pétalas perfumadas
jaz ali tola e sombria
sem ninguém que lhe sorria

as pétalas
fechadas num livro
enaltecem a saudade
lembram a rosa que um dia
era alvo de olhares
enfeitava fantasia

mas agora
suas pétalas
jazem nuas e vazias

26/06/2006

Ariadna Garibaldi

Pai

10 de agosto de 2009

 

euepapai1

Pai
Quantas vezes ao chorar
em teu ombro encontrei consolo
ou com medo em teu peito
encontrei abrigo


no teu riso a certeza de estar tudo bem...


Quantas vezes eu te magoei ao me iludir
Machuquei tuas feridas quando desprezei
cada palavra de conselho
por me achar "sabida"


Quantas vezes pela vida eu  tropecei
e busquei o teu refúgio no meu desespêro
e encontrei no teu abraço
todo o teu amor, todo teu desvelo


Ainda sou uma menina sob o teu olhar
e me sinto protegida sob as tuas asas
És o meu melhor amigo, meu hangar
meu porto seguro...


És o homem mais bonito,
o que não tem erros
feitos porém... Tens de sobra: Um exemplo?
és o meu pai
De todos - o  mais perfeito!

10/08/2007

Ariadna


A você papai, com todo o meu amor, Feliz dias dos pais por muitos e muitos anos ainda!!!!

Sou Tua

7 de agosto de 2009

 

Vladamir-MuhinTela do pintor russo Vladimir Muhin  

 

Pelo avesso do avesso eu me guio
Guardo luto e visto cores no vazio
Se me porto qual vestal
Por castidade
É de amar-te e querer-te de verdade

Eu desprezo a avidez de puro cio
À minh’alma, basta o amor terno e sereno
Mesmo em face de desejos mais sombrios
Dispo os beijos
Colho olhares e me desvio

Eu sou vale interditado
Intransponível
Uma estrada proibida ao estrangeiro
E que possa eu sentir do amor o cheiro
É só teu o que recato

07/08/2005

Ariadna Garibaldi

Confesso que te amo

5 de agosto de 2009

 

CheektoCheek

Tela de Joseph Lorusso

 

Poderia em vão negar-te que te amo
esconder-me entre frases dissonantes
tais palavras soariam falsamente
e saberias que te amo como antes


Poderia em vão dizer que não te quero
fazer doce ou  ficar emudecida,
saberias que não passo de fingida
e te quero mais que tudo nessa vida!


Então, para quê perder meu tempo,
se mentindo não me engano e nem te engano?
eu confesso que te quero loucamente,
eu confesso que confesso  que te amo!

01/02/2005

Ariadna Garibaldi

Cansei de ser certinha

1 de agosto de 2009

Herder-AlluringDancer

Tela de Edwin Helder

 

Cansei de ser certinha

a irmã mais prestimosa
a mãe total, ardorosa
e a filha perfeitinha
quadradinha, previsível

a romântica incurável
poeta do amor impossível

depois de muito esperar
chegou enfim o momento
de apenas ser mulher
ser tocada, acariciada

descer do meu pedestal
crescer, escalar montanhas
saltar de algum para-quedas
me esbaldar no carnaval

quero errar, quebrar a cara
viver tudo o que é novo
aprender qual é o jogo
quero Vida - pra ser minha

qual cortesã ou rainha
eu quero apenas mudar...
Ser mais eu, correr os riscos

quero soltar o meu grito
dar vazão ao meu instinto
eu quero me liberar!

Já não ser assim certinha
nem igual a mais ninguém
mas sem amarras, mais solta
quem sabe assim ser feliz?

23/01/2007

Ariadna Garibaldi

Beija-me!

31 de julho de 2009

Sobrevoa  birdkiss
beija flor
beija a flor
que bem me queiras
entre quereres
e me teres
minha boca
te espera

18/02/2006

Ariadna Garibaldi

Tela de Galla Pasternak

De qualquer maneira

30 de julho de 2009

Quero-te
sopro de vida
que me invade
brisa matutinaOrly-Maiberg
que me abre
fagulha de luz
que me ilumina

Quero-te
amado ou amante
verbo revelado
ou luz errante
na filosofia
 
delirante                                                     
ou na sutileza
da poesia

Quero-te
meu homem
meu menino
pelos teus caminhos
meu destino
algo diabólico
ou divino 


13/09/2006 

Ariadna Garibaldi

Tela de Orly Maiberg

A Minha Diarista

28 de julho de 2009

Para começar a semana sorrindo, apresento-lhes a minha diarista:dom

Tenho uma faxineira que vem em minha casa uma vez por semana. Pessoa simples, honesta e de minha inteira confiança, que me faz rir ao trocar os nomes do meus filhos pelos dos jovens de outras casas onde trabalha, ou quando tenta acertar meu nome e não consegue e acaba me chamando de "Dona coisinha"... (risos) Mas este sábado ela superou-se. Segue-se o seu diálogo com a minha filha e não riam, se puderem!


-Renata, ôh, Fabiana, ôh...
-Mila, Nenzinha, eu sou Mila!!
-Mila, eu to tão contente! Arrumei outra faxina, pra quinta feira
-Foi mesmo Nenzinha? E onde é?
-É lá pruculá, praqueles lados de lá, cumé? Lá onde tem aquelas arupema, aquele carro de boi na frente... Onde os povo come, onde os oimbu pára!
-Já sei! No Mangai?
-Isso! naquele edifiço novo que fica bem em frente, mas os povo num são daqui não, eles falam uma língua diferente que eu num intendo nada!
-É mesmo? E de onde eles são?
-Ôxe! São de outro país, sabe onde tem os povo bem alto, bem alto, bem alto e bem lôro, bem lôro, bem lôro, dos ói azul, cumo é? Ela disse o lugá mas num alembro, diz aí o nome desse país
-Alemanha?
-Não
-Finlândia?
-Não
-Inglaterra?
-Não
Muitos países e muitos "nãos" depois...
-Ói, é aquele país que fica depois de Fortaleza! Qualé o nome?
-Mas Nenzinha, Fortaleza é uma cidade e é no Brasil, depois de Fortaleza não tem nenhum país não!
-ôh mulézinha, é um nome parecido com Caruaru, e lá eles faiz muitos bordado
-Ôxe Nenzinha -gargalhando- Eu não sei de nenhum país com nome parecido com Caruaru não!
-Mulé! Eles falam assim -imitou o som- como quem fala da garganta
-Não é Portugal não, Nenzinha? Português fala assim
-É não mulé! -já nervosa- ôh mô Deus, eu vou ligá pro home meu outro patrão pruquê ele sabe que quando eu contei a ele eu alembrava
-Tem certeza que é outro país Nenzinha? Não será Rio Grande do Sul?
-É não mulé! Péra!!!! Alembrei, alembrei! ARACAJU!!!
Depois de muitas gargalhadas:
-Nenzinha, Aracaju é em Sergipe e não é outro país e nem tem muita gente alta e loira lá não...Lá tem mais gente da sua cor e falam igual a nós, porque são nordestinos como nós...
-Apois tá ruim, ôh mô Deus...

outubro/2005

Ariadna Garibaldi

PS: “Mangai” é o nome de um restaurante regional, localizado na praia de Manaíra em João Pessoa. O nome é uma corruptela de “Mangaio” feira muito comum nas cidadezinhas do interior do nordeste.

Em poesia

23 de julho de 2009

Viva eu, MWIGC4
que sou poeta
não me calo
ante a dor ou a saudade
escrevo e falo
vivo o que sonho
mesmo sem realizá-lo
e se nada me sorri,
sou alegria
rio, vibro, canto, grito
em poesia

18/07/2009

Ariadna Garibaldi                                                               Tela de Mark Wilson

Espelho

17 de julho de 2009

mirror

Tela de Douglas Hofmann

Eu sou a outra de mim,
desconhecida de ti,
cujo habitat é a alma.

A outra é a minha recâmara
eu, o seu próprio jardim.

A outra tem sonhos alados
e tece em muitos brocados
os poemas que faço meus;

porque eu sou a outra de mim
e a outra de mim sou eu.

17/07/2009

Ariadna Garibaldi

Eu vi!

1550

Tela de Cândido Portinari

 

Eu vi

A face escura do medo,
O beijo quente na boca,
A faca afiada na língua,
o porte da lua que mingua.

O tédio, o horror e a morte,
O punhal encravado no peito,
O mistério e incerteza da sorte,
O prazer, o dever e o direito.

O começo do fim de janeiro,
O calor que inferniza, o dinheiro.
As escolhas mal feitas, a ferida.
O tesão recolhido, a bebida.

O ciúme que fere e consome,
A pureza marcada, perdida...
A vergonha na cara do homem,
A mulher que se acaba na lida.

Eu vi tudo diante de mim
No painel, na "tv", no espelho.
Na mistura das
raças, na fé…
Na rotina de um brasileiro.

18/01/2005

(Ariadna Garibaldi)

Entrelinhas

12 de julho de 2009

blueline-HandsWithLine-w700
Tela de Trude Zmoelnig 


Entre o escrito e o não escrito
há uma linha
Entre o dito e o não dito
há o silêncio
Entre os olhos teus e os meus
uma saudade
Entre o beijo e o adeus
a eternidade
Entre a noite e o dia
a escuridão
Entre o fim e o começo
uma razão
Entre o certo e o errado
há um princípio
Entre o bem e o mal
um precipício
Entre a prosa e a poesia
inspiração
Entre o crime e o castigo
há o perdão
Entre a vida e a morte
há uma rinha
Entre o dever e o prazer
uma lição
Entre o ler e o entender
há entrelinhas...
27/01/2005
Ariadna Garibaldi

Contar Estrelas

11 de julho de 2009

cuadros-181Tela de Roman De Blas

 

Sucedem-se os dias
sem nada de novo chegar
sem nada que me sorria

e vivo a me perguntar
onde está a alegria
que tenho dentro de mim

a vontade de viver que sinto às vezes
perder

talvez renasça num beijo
que possa me deixar louca
e fique a contar estrelas
ali - no céu da tua boca

18/12/2006

Ariadna Garibaldi

Se...

8 de julho de 2009

 



Se o tempo revelasse as coisas que não se sabe
e se o vento trouxesse as coisas que não se têm

se o medo não impedisse a felicidade
e se a distância não afastasse ninguém

não se diriam mentiras
não haveria tristeza
não brotariam saudades...

04/04/2007

Ariadna Garibaldi

Sinais

5 de julho de 2009

Guardo muitas estórias
de mim, de ti e de outros
pronomes, oblíquos ou não,
porque a vida não é uma linha reta;
é feita de estradas sinuosas,
cheias de curvas acentuadas,
alguns desvios
e muitas encruzilhadas.


É disso que é feita a vida:
de muitos pontos de interrogação
e  inúmeras reticências...


05/07/2009

Ariadna Garibaldi


Tela de Vera Menezes

Miragem

3 de julho de 2009

 
Fotografia de Lili


Mirei o teu olhar
doce paisagem
dois lagos tão serenos e tranquilos
busquei beber da fonte
era miragem


02/07/2009

Ariadna Garibaldi

Encanto

27 de junho de 2009


 
Tela de Domènech 





Sentimentos arrebentam
em sons e cores
aromas e sabores

tudo tão poético
nada dialético

no vôo rasante da ilusão
faço-te soneto
o meu predileto

06/06/2008

Ariadna Garibaldi

Saudade

25 de junho de 2009




Dizer do meu amor
lugar comum
cantar poemas
sentimentos
sonhos

nenhuma novidade
nem a saudade
indelével
sempre a trazer
a tua imagem...


15/06/2006

Ariadna Garibaldi

Cigana

21 de junho de 2009


Tela de Nikolai Yaroshenko



Leio as palmas de tuas mãos
descritas em minha poesia
decifro nas entrelinhas
aquilo que não percebes
pois do tempo que te perdes
na distância dos teus medos
eu desvendo nos meus versos
cada um dos teus segredos
em metáforas os digo
para guardá-los comigo

16/03/2008

Ariadna Garibaldi

Haikai

20 de junho de 2009



Algo singelo
beijo de colibri em
lírio amarelo

20/06/2009

Ariadna Garibaldi 





Pelo sim e pelo não

19 de junho de 2009



Pelo sim e pelo não...


Amo você nos silêncios incontidos
nos sussurros comovidos
e nos gritos que estão presos na garganta

amo você nas manhãs de sol pungente
nos versos da canção dolente
e nas noites de luar ou escuridão

amo você pelos gestos desmedidos
pelos desejos sentidos
em todo tempo ou estação

amo você pelas certezas despertas
pelas dores encobertas
pelo sim e pelo não...

23/02/2008

Ariadna Garibaldi

Qual Folha

12 de junho de 2009


Foto de Rubem Andrade



na vastidão do mundo que trago em mim
na imensidão da vida que anseio ter
na liturgia do tempo que me consome

na indulgência poética das palavras;
na lucidez profética dos pensamentos;
na inconstância dos ventos que me levam

Viajo

qual folha a se desprender da árvore que a sustenta
sem transgredir a lei da gravidade que a detém


12/06/2009

Ariadna Garibaldi


Sublime

10 de junho de 2009

Foto de JOMANE


Pétalas dispersas com o vento
beijos roubados,
salpicados de sorrisos

notas sincopadas de canção
estrelas cadentes
em noites de sim e não

o amor inunda-me a alma
abre à beleza o espírito
brilha como um cristal

E eu envolta em teus beijos
suaves pétalas de rosas
de um sonho transcendental

25/04/2009

Ariadna Garibaldi

Velada

17 de maio de 2009

Tela de PINO




Há um sonho de menina
um desejo de mulher
a verdade é cristalina
ilusão de bem-me-quer

uma alma nordestina
conta o conto que quiser
sob a luz da parafina
topa tudo que vier

haja sol ou tempestade
faça o tempo que fizer
vela o sono da menina
guarda o sonho da mulher

09/03/2009

Ariadna Garibaldi

Girassol

24 de fevereiro de 2009


Tela de Pedro Sabiá


Meu girassol
é lindo ver-te assim
a se abrir
pétalas ao sol
pudesse
eu te traria
para bem perto de mim
mas eu sei, te mataria
deixo-te livre então
a brincar à luz do dia

06/08/2005

(Ariadna Garibaldi)

Vestida de Rosa

Tela de Maria Ester Torinho


Visto-me qual rosa
solitária
que já não habita o jardim
porém dorme
envolta em vaso
a enfeitar a mesa de mármore

Flor morta
ainda bela
amarela
à branca luz exala o aroma sutil
que embala sonhos
de amores vãos

09/08/2005

(Ariadna Garibaldi)

Musica-me!

23 de fevereiro de 2009



Toca-me!

Liricamente

Nota-me!

Eleva-me!

Segreda-me

Em sonhos!

Os sons

Emitam-se!

Espalhem-se!

Transformem-se!

Até que sejam,

Enfim,

Música em mim...

19/01/2005


(Ariadna Garibaldi)

Pra que o amor acorde

11 de janeiro de 2009

Tela de Judea Heredia Heredia

.


Veio o acorde da guitarra
em azul mais que celeste
inda que em bemol
um bem maior tivesse
agudo tom
o som calou em si
e ouviu-se um cantar
num solo azul de céu e mar
a me tocar o amor

10/01/2009

Ariadna Garibaldi